O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o país está disposto a se unir ao Brasil para fortalecer o Brics e “‘resistir a atos de intimidação” em um post na rede social X nesta sexta-feira (29).

Segundo Lin Jian, os ministros das Relações Exteriores dos dois países, Wang Yi e Mauro Vieira, conversaram novamente por telefone nesta quinta-feira (28), a pedido do chanceler brasileiro.

No mesmo dia, o governo Lula anunciou que estava iniciando o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos devido à aplicação do tarifaço contra produtos brasileiros exportados para os americanos.

Nesta quinta também, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou que sua equipe ainda não conseguiu contato com a diplomacia dos Estados Unidos para renegociar as tarifas.

“O Ministro da Fazenda chinês, Wang Yi, conversou por telefone com o Ministro da Fazenda brasileiro, Mauro Vieira. Em meio às complexas mudanças na atual conjuntura internacional, a China está disposta a fortalecer a coordenação com o Brasil e a unir forças com os países do Brics para resistir ao unilateralismo e às práticas de intimidação”, afirmou, sem citar diretamente, no entanto, os EUA.

 

O comunicado sobre a conversa, divulgado no site oficial do ministério chinês, diz que “Wang Yi afirmou que “a relação China-Brasil está no seu melhor momento histórico”, elogia o país por seus esforços à frente do Brics e diz:

“A China está pronta para trabalhar com o Brasil para fortalecer a confiança mútua estratégica, apoiar-se mutuamente com firmeza, acelerar a implementação dos importantes entendimentos comuns alcançados pelos dois chefes de Estado e aprofundar a cooperação prática em diversas áreas entre os dois países”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recentemente sancionado pelo governo dos Estados Unidos, disse à Reuters que tribunais brasileiros podem punir instituições financeiras nacionais que bloquearem ou confiscarem ativos domésticos em resposta a ordens norte-americanas.

As declarações foram dadas em meio a um impasse que derrubaram as ações de bancos brasileiros, que ficaram em meio a sanções norte-americanas e ordens do STF.

Em entrevista na noite de terça-feira (19), em seu gabinete em Brasília, Moraes reconheceu que a atuação da Justiça dos EUA em relação aos bancos brasileiros que têm operações nos Estados Unidos “é da aplicação da lei norte-americana”.

“Agora, da mesma forma, se os bancos resolverem aplicar a lei internamente, eles não podem. E aí eles podem ser penalizados internamente”, acrescentou.

As declarações de Moraes apontam para as possíveis consequências da decisão de segunda-feira do ministro do STF, Flávio Dino, que alertou que leis estrangeiras não podem ser automaticamente aplicadas no Brasil.

Essa decisão foi seguida por uma dura repreensão do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA que, horas depois, alertou nas redes sociais que Moraes era “tóxico” e alertou que “pessoas que não são dos EUA devem ter cautela: aquelas que fornecerem apoio material a violadores de direitos humanos correm o risco de também serem sancionadas”.

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Moraes no mês passado com base em uma lei criada para impor penalidades econômicas a estrangeiros considerados corruptos ou violadores de direitos humanos.

A ordem acusou-o de suprimir a liberdade de expressão e liderar processos politizados, incluindo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado fiel de Trump que será julgado em breve pelo Supremo por supostamente tramar um golpe para reverter sua derrota nas eleições de 2022. Bolsonaro nega ter cometido qualquer crime e diz ser alvo de perseguição política.

Na entrevista, Moraes afirmou que decisões de tribunais e governos estrangeiros só podem ter efeito no Brasil após validação por meio de um processo doméstico. Segundo ele, portanto, não é possível confiscar bens, congelar fundos ou bloquear propriedades de cidadãos brasileiros sem seguir esses trâmites legais.

O alcance global do sistema financeiro dos EUA faz com que bancos estrangeiros frequentemente restrinjam uma gama mais ampla de transações para evitar sanções secundárias.

Embora tenha afirmado que o uso da Lei Magnitsky tenha sido “totalmente equivocado” contra ele, Moraes disse estar confiante de que conseguirá reverter as sanções contra ele por meio de canais diplomáticos ou de uma eventual contestação nos tribunais dos EUA. Mas reconheceu que, por ora, elas colocaram instituições financeiras em uma situação difícil.

“Esse desvio de finalidade na aplicação da lei coloca até instituições financeiras em uma situação difícil. E não são só instituições financeiras brasileiras, mas são seus parceiros norte-americanos, são empresas norte-americanas que atuam no Brasil e também têm contas, investimentos, financiamentos de bancos brasileiros”, disse.

“Exatamente por isso que é importante, eu repito, o canal diplomático para que isso seja logo solucionado para não desvirtuar a aplicação de uma lei que é importante contra o terrorismo, contra organizações criminosas, contra o tráfico internacional de drogas, contra o tráfico internacional de seres humanos”, acrescentou.

O Departamento de Estado não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Um porta-voz do Tesouro afirmou que Moraes “cometeu sérios abusos contra os direitos humanos”.

Sem escolha

O embate pode ter consequências sérias para instituições financeiras brasileiras, disseram dois banqueiros do país que pediram anonimato para falar com franqueza sobre o assunto.

A maioria dos grandes bancos é supervisionada de alguma forma pelo governo dos EUA devido à sua presença internacional ou exposição, seja por meio de uma filial estrangeira ou pela emissão de títulos no exterior, disse o ex-diretor de um banco internacional no Brasil.

A escolha para esses bancos, sob pressão dos EUA, pode ser convidar clientes sancionados a buscar outra instituição para manter seus ativos, acrescentou o banqueiro.

O diretor de um grande banco brasileiro afirmou que, na prática, a decisão judicial de segunda-feira significa que qualquer ação tomada por bancos brasileiros com base em regras envolvendo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA, que supervisiona sanções americanas, precisará de aprovação do Supremo.

Ao mesmo tempo, ele acrescentou, deixar de cumprir uma decisão do OFAC pode cortar o acesso de um banco ao sistema financeiro internacional.

“O Brasil realmente não tem escolha”, disse o banqueiro. “Dado o quão interconectado tudo é, e a disparidade de poder econômico entre os EUA e o Brasil, ficamos em uma posição de subordinação. Não há muito o que fazer.”

Ele ressaltou que o tribunal precisará encontrar uma solução “que não coloque o sistema financeiro em risco.”

As ações do Banco do Brasil, onde a maioria dos funcionários públicos, incluindo juízes, recebe seus salários, caíram 6% na terça-feira — a maior queda entre os três maiores bancos do país.

O banco afirmou em comunicado na terça-feira que está preparado para lidar com questões “complexas e sensíveis” envolvendo regulamentações globais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está convocando auxiliares para uma reunião ministerial, na próxima terça-feira (26).

O encontro marca o início do semestre, e tem como principal objetivo alinhar o discurso dos integrantes do governo sobre a MP (Medida Provisória) do Brasil Soberano, que busca proteger empresas dos impactos causados pela imposição de tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

Lula quer que os ministros estejam alinhados e atuem com firmeza na defesa das medidas anunciadas pelo governo.

O chefe do executivo também deve tratar dos textos da regulamentação das redes sociais e de empresas de tecnologia. As propostas devem ser enviadas ao Congresso Nacional na semana que vem.

A reunião também ocorre em meio a conflitos do governo com a federação União Progressista, lançada na última terça-feira(19).

Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também tem sido pressionado a desembarcar do governo Lula. São nomes do partido que compõe a esplanada: Celso Sabino (Turismo), Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico de Siqueira (Comunicações).

Esta será a segunda reunião ministerial do ano. Em janeiro, Lula chamou os ministros para expor as prioridades para o primeiro semestre e alinhar as ações do governo em 2025.

O governo apresentou nesta quarta-feira (13) a primeira parte do pacote de medidas para socorrer empresas afetadas pela cobrança de uma sobretaxa de 50% para entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

principal medida anunciada foi a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para auxiliar empresas impactadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O acesso às linhas estará condicionado à manutenção do número de empregos.

Também foi prorrogado, por um ano, o prazo para que as empresas consigam exportar mercadorias que tiveram insumos beneficiados pelo chamado “drawback”. O mecanismo foi criado para incentivar as exportações e permite a suspensão ou isenção de tributos na importação de insumos utilizados para fabricar produtos que serão exportados em seguida.

Além disso, a Receita Federal fica autorizada a fazer diferimento (adiamento) de cobrança de impostos para as empresas mais afetadas pelo tarifaço. Essa prática já havia sido adotada anteriormente durante a pandemia da Covid-19.

O governo também anunciou que as empresas exportadoras terão crédito tributário (valores a abater em impostos) para que suas vendas ao exterior sejam desoneradas. As grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e as micro e pequenas, com até 6%. Essa medida terá impacto de R$ 5 bilhões até o fim de 2026.

As empresas exportadoras, principalmente as pequenas e médias, terão mais acesso a operações de seguro, que protegem o exportador contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos.

A União, estados e municípios poderão fazer compras públicas para seus programas de alimentação (para merenda escolar, hospitais etc.). A medida vale apenas para produtos afetados pelas sobretaxas dos EUA.

O governo anunciou, ainda, que continuará trabalhando para diversificar mercados, ou seja, buscando novos países compradores dos produtos sobretaxados pelos Estados Unidos.

Para garantir a manutenção do emprego para as empresas beneficiadas, o governo anunciou a criação da Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego.

“Com o intuito de monitorar o nível de emprego nas empresas e suas cadeias produtivas, fiscalizar obrigações, benefícios e acordos trabalhistas, e propor ações voltadas à preservação e manutenção dos postos de trabalho. A atuação será coordenada em nível nacional e regional via Câmaras Regionais nas Superintendências Regionais do Trabalho”, informou o governo.

 

O que disseram as autoridades

 

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que as medidas representam a defesa da soberania nacional e da democracia.

“O Brasil e o mundo são testemunhas de que essa situação, que consideramos uma verdadeira chantagem, foi provocada por aqueles que tentaram abolir o estado democrático de direito e agora respondem por seus crimes perante à lei e à justiça”, disse.

Geraldo Alckmin detalhou a prorrogação, por um ano, do crédito tributário para empresas que importam para produzir.

Segundo ele, o chamado “drawback” é uma das ferramentas para a redução de custos em operações de comércio exterior.

Também em resposta ao tarifaço, Alckmin mencionou que as compras governamentais, de municípios, estados e da União, devem priorizar produtos produzidos por empresas afetadas pelo tarifaço de Trump.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, informou que a entidade contratou escritórios de advocacia para defender seus interesses nos EUA. A CNI também vai atuar com lobby para tentar reduzir as tarifas dos EUA.

“Nada justifica sairmos de um piso para um teto”, disse.

 

Alban destacou a importância de buscar novos mercados para os produtos brasileiros e elogiou as “medidas paliativas” adotadas pelo governo.

“Vamos trabalhar para que essas medidas possam ser superadas o mais breve possível”, declarou.

O secretário da Fazenda da Paraíba, Marialvo Laureano, classifica o ‘tarifaço’ como prepotência de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Em entrevista ao 20 minutos com Clilson Júnior, Marialvo Laureano considera que a justificativa de Trump é completamente ideológica. Segundo o secretário da Fazenda, Donald Trump age de “forma imperialista” ao impor sanções econômicas para o Brasil que, até então, era um país parceiro.

Cerca de 12% das exportações feitas por empresas da Paraíba tem como destino os Estados Unidos da América. “Há uma possibilidade de essas exportações serem redirecionadas para outros países parceiros”, revela Marialvo Laureano. Outro fator a se considerar é que os produtos que são exportados também são consumidos internamente, em todo o Brasil.

“O Brasil é deficitário com os Estados Unidos, isto é, ele compra mais dos Estados Unidos do que vende”, avalia Marialvo Laureano que vê a iniciativa de Trump como um absurdo, já que o presidente americano tenta reverter a autonomia da Justiça e passar por cima da soberania do Brasil.

Em entrevista a Clilson Júnior, Marialvo considera que a Paraíba é um pequeno exportador e que exporta para vários países além dos Estados Unidos. Ainda assim, as empresas deverão sentir efeitos do tarifaço de Trump.

Como explica Marialvo Laureano, “se você considerar os primeiros seis meses do ano, de janeiro a junho, as exportações para os Estados Unidos, elas estão em torno de quase 10 milhões de dólares. E nós exportamos aproximadamente 80 milhões de dólares nesse período, nesse esses seis meses. É por isso que eu estou dizendo que representa na faixa de 12%”.

Os principais produtos da Paraíba exportados para os Estados Unidos são suco de abacaxi, água de coco, açúcar, produtos minerais, como a ardósia e o granito, além de calçados e pescados. “Eu acredito que as nossas empresas têm condições de redirecionar para outros países e também para o consumo interno. Todos esses produtos, eles também são consumidos aqui no Brasil”, avalia o secretário da Fazenda.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (11) uma ordem executiva que estende por mais 90 dias a suspensão das tarifas sobre importações chinesas, informou uma autoridade da Casa Branca.

A trégua tarifária entre Pequim e Washington venceria em 12 de agosto. Mais cedo, Trump já havia sinalizado que a China estava colaborando nas negociações com os EUA.

“Temos lidado muito bem com a China. Como vocês provavelmente já ouviram, eles estão pagando tarifas tremendas aos Estados Unidos da América”, disse Trump a jornalistas nesta segunda-feira (11).

 

“Eles estão lidando muito bem”, acrescentou o republicano, reforçando que tem um bom relacionamento com o presidente chinês Xi Jinping.

O acordo entre os dois países

 

Em 12 de maio, EUA e China concordaram em reduzir temporariamente as chamadas “tarifas recíprocas” por um período de 90 dias.

  • As tarifas aplicadas pelos EUA sobre importações chinesas caíram de 145% para 30%.
  • As taxas impostas pela China sobre produtos americanos foram reduzidas de 125% para 10%.

 

Cerca de duas semanas depois, porém, Trump acusou a China de violar o acordo em publicação feita em sua rede social, a Truth Social:

“A má notícia é que a China, talvez sem surpresa para alguns, VIOLOU TOTALMENTE SEU ACORDO CONOSCO”, postou naquele momento.

 

Desde que anunciou o tarifaço com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA, o republicano enfrenta críticas, inclusive de aliados. O embate com o governo chinês antes das negociações agravou ainda mais a situação.

Horas depois da publicação do presidente americano, a China se manifestou por meio de um comunicado de sua embaixada em Washington.

Pediu que os EUA acabem com as “restrições discriminatórias” contra Pequim e que os dois lados “mantenham conjuntamente o consenso alcançado nas negociações de alto nível em Genebra”.

“Desde as negociações econômicas e comerciais entre a China e os EUA em Genebra, ambos os lados têm mantido comunicação sobre suas respectivas preocupações nos campos econômico e comercial em várias ocasiões bilaterais e multilaterais em vários níveis”, disse o porta-voz da embaixada, Liu Pengyu, à época.

Os reflexos do tarifaço já atinge a região Nordeste, uma das que mais exporta para os Estados Unidos. De acordo com o presidente da Companhia Docas, Ricardo Barbosa (PSB), o montante de prejuízo imediato já chega a ordem de R$ 700 milhões para o setor sucroalcooleiro, em especial o açúcar. A análise do gestor, feita em entrevista ao programa Arapuan Verdade, nesta quinta-feira (7), alerta para as soluções que já estão sendo viabilizadas.

“O Nordeste todo, vingando só nos setores que são mais fortes… a permanecer por pouco tempo esse tarifaço, o prejuízo só com o açúcar, no Nordeste será de mais de R$ 700 milhões. Algo assustador esse tarifaço, e que já tem reflexos que afeta todas as cadeias produtivas, além da insegurança que gera nos mercados”.

“Nós temos dois vetores que comandam nossas operações, os líquidos e os sólidos, como os mais de R$ 1 milhão de toneladas de petcock, pó preto, que foram enviadas ano passado aos Estados Unidos”, destacou Barbosa. Segundo ele, o Porto não enviou nenhuma carga nos últimos meses, mas tinha a previsão de envio de cargas para o segundo semestre “não havendo mudança nesse tarifaço, a gente passa a ter um problema grande”, alertou acerca do impacto de 50% nos produtos brasileiros pelo governo norte americano.

Semana passada, o secretário da Fazenda, Marialvo Laureano, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, destacou que a balança comercial do Estado registrou déficit nos seis primeiros meses do ano, com a importação de US$ 250 milhões e a exportação de US$ 10 milhões. Os dados também dão conta de que o óleo refinado para combustível, representa mais de 60% das negociações da Paraíba com os Estados Unidos. Já os principais produtos exportados são suco de abacaxi, água de coco, calçados, açúcar, granito e ardósia, além de pescados.

Com o tarifaço, o impacto negativo para o estado pode ser superior a R$ 101 milhões, revela a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O Departamento de Estado dos Estados Unidos planeja impor a Lei Magnitsky a outros ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que votaram a favor do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro,

O governo dos EUA aplicou na quarta-feira (30) a legislação contra Alexandre de Moraes, ministro do STF. A lei é usada para punir estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos.

Ao programa WW na noite de quarta, Sant’Anna afirmou que o processo deve ser feito de forma gradual.

“Esse plano inclui também outras medidas em relação aos vistos das pessoas que estão ali em torno do presidente Lula, isentando Lula, a primeira-dama e o vice-presidente Alckmin. E essa restrição de vistos pode se estender também aos brasileiros em geral”, acrescentou ele.

O analista disse que, segundo o mesmo plano, vistos que já existem podem ser revogados, e brasileiros podem ter que pagar 500 dólares para tirar novamente o documento.

Sant’Anna também afirmou que as tarifas impostas por Donald Trump são uma forma do presidente dos Estados Unidos impor a própria vontade.

“O que o governo americano quer é demonstrar muita munição e que essa munição vai sendo empregada gradualmente a partir de cada resposta do governo brasileiro”, destacou.

Exigências americanas tocam em pontos sensíveis para o Brasil

As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas comerciais revelam profundas divergências conceituais sobre democracia e liberdade de expressão.

O debate surge em um momento em que os EUA oficializaram novas tarifas comerciais contra o Brasil.

De acordo com Lourival Sant’Anna, as exigências americanas tocam em pontos sensíveis relacionados à soberania nacional brasileira e à independência dos Poderes.

As discussões ultrapassam a esfera puramente comercial e adentram questões fundamentais sobre o funcionamento das instituições democráticas.

Senadores democratas enviaram uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contestando as tarifas de 50% impostas às importações do Brasil, nesta quinta-feira (24).

Os 11 parlamentares de oposição que assinam o documento encaminhado à Casa Branca acusam o republicano de “claro abuso de poder” e afirmam que ele está usando “a economia americana para interferir em favor de um amigo”, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder presente em sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil. (…) Interferir no sistema legal de uma nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação”, apontam.

 

Os senadores também argumentam que uma retaliação do Brasil aumentaria os custos de vários produtos para famílias e empresas americanas. Destaca que o país importa mais de US$ 40 bilhões por ano do Brasil – sendo US$ 2 bi só de café – e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos nos EUA.

Além disso, a aproximação crescente do Brasil e outros países com a China também é citada como uma grande preocupação:

“Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses processos em favor de um amigo é um grave abuso de poder, enfraquece a influência dos EUA no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região. (…) Uma guerra comercial com o Brasil também aproximaria o país da República Popular da China (RPC) em um momento em que os EUA precisam combater agressivamente a influência chinesa na América Latina”.

Nesta sexta-feira (25), uma comissão de senadores brasileiros embarca para os Estados Unidos, em busca de abrir um canal de negociações no território americano sobre o “tarifaço”. No entanto, segundo o jornalista Valdo Cruz, a equipe do presidente Lula ouviu que Trump não autorizou o diálogo da Casa Branca com o Brasil.

Um dia antes, nesta quinta-feira, um novo ponto de polêmica foi adicionado aos embates entre os dois países. O encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou o interesse do governo norte-americano nos minerais críticos e estratégicos do Brasil.

Em discurso, Lula defendeu a soberania do Brasil sobre suas riquezas naturais e afirmou:

“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, disse o presidente.

Leia a íntegra da carta abaixo:

“Prezado Presidente Trump,

Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder presente em sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil. Os Estados Unidos e o Brasil têm questões comerciais legítimas que devem ser discutidas e negociadas. No entanto, a ameaça de tarifas feita por sua administração claramente não se refere a isso. Tampouco se trata de um déficit comercial bilateral, já que os EUA tiveram um superávit de US$ 7,4 bilhões em bens com o Brasil em 2024 e não registram déficit comercial com o país desde 2007.

Na verdade — como o senhor afirma explicitamente em sua carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — a ameaça de impor tarifas de 50% sobre todas as importações do Brasil e a ordem para que o Representante de Comércio dos EUA inicie uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 têm como principal objetivo forçar o sistema judiciário independente do Brasil a interromper a acusação contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Interferir no sistema legal de uma nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação. O Sr. Bolsonaro é um cidadão brasileiro sendo processado nos tribunais brasileiros por ações alegadamente cometidas sob jurisdição nacional. Ele é acusado de tentar minar os resultados de uma eleição democrática no Brasil e de planejar um golpe de Estado.

Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses processos em favor de um amigo é um grave abuso de poder, enfraquece a influência dos EUA no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região. O anúncio de sua administração em 18 de julho de 2025, de sanções de visto contra autoridades judiciais brasileiras envolvidas no caso do Sr. Bolsonaro, indica — mais uma vez — a disposição de sua administração em priorizar sua agenda pessoal em detrimento dos interesses do povo americano.

Suas ações aumentariam os custos para famílias e empresas americanas. Os americanos importam mais de US$ 40 bilhões por ano do Brasil, incluindo quase US$ 2 bilhões em café. O comércio entre EUA e Brasil sustenta cerca de 130 mil empregos nos Estados Unidos, que estão em risco diante da ameaça de tarifas elevadas. O Brasil também prometeu retaliar, e o senhor prometeu retaliar em resposta — o que significa que os exportadores americanos sofrerão e os impostos sobre importações para os americanos aumentarão além do nível de 50% que o senhor ameaçou.

Uma guerra comercial com o Brasil também aproximaria o país da República Popular da China (RPC) em um momento em que os EUA precisam combater agressivamente a influência chinesa na América Latina. Empresas estatais e ligadas ao Estado chinês estão investindo fortemente no Brasil, incluindo vários projetos portuários em andamento. Recentemente, o China State Railway Group assinou um Memorando de Entendimento para estudar um projeto ferroviário transcontinental.

Essas considerações não são exclusivas do Brasil. Em toda a América Latina, a RPC está trabalhando para ampliar sua influência por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota. Estamos preocupados que suas ações para minar um sistema judicial independente apenas aumentem o ceticismo em relação à influência americana na região e deem mais credibilidade à agenda de autoridades e empresas estatais chinesas. A mesma tendência também está ocorrendo no Leste e Sudeste Asiático.

Os objetivos principais dos EUA na América Latina devem ser o fortalecimento de relações econômicas mutuamente benéficas, a promoção de eleições democráticas livres e justas e o combate à influência da RPC. Instamos o senhor a reconsiderar suas ações e a priorizar os interesses econômicos dos americanos, que desejam previsibilidade — não outra guerra comercial”.

Atenciosamente,

Tim Kaine, Senador dos Estados Unidos
Jeanne Shaheen, Senadora dos Estados Unidos
Adam B. Schiff, Senador dos Estados Unidos
Richard J. Durbin, Senador dos Estados Unidos
Peter Welch, Senador dos Estados Unidos
Kirsten Gillibrand, Senadora dos Estados Unidos
Mark R. Warner, Senador dos Estados Unidos
Catherine Cortez Masto, Senadora dos Estados Unidos
Michael F. Bennet, Senador dos Estados Unidos
Jacky Rosen, Senadora dos Estados Unidos
Raphael Warnock, Senador dos Estados Unidos

O deputado federal Wellington Roberto, que deve anunciar em breve sua saída do Partido Liberal (PL), disse, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, nesta quinta-feira (24), que o cenário econômico brasileiro terá impactos com a vigência do tarifaço de 50%  imposto por Donald Trump e que bolsonaristas devem ter mais consciência acerca dos prejuízos.

O parlamentar bolsonarista destacou que independente de qual seja a posição política, “todos pagarão a conta” ao fazer referência as defesas de políticos bolsonaristas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Para ele, o diálogo entre bolsonaristas e governistas ajudaria a solucionar medidas para amenizar os impactos que serão gerados na vida dos brasileiros.

“Falta de dialogo tem reflexos prejudiciais a todos que fazem parte do Brasil e quem paga, nos finalmente, é o povo brasileiro”.