Os aliados da OTAN aumentaram o nível de alerta de defesa antimíssil balístico em toda a aliança após a interceptação de um míssil iraniano direcionado à Turquia, informou o quartel-general militar da aliança nesta quinta-feira (5).

O nível de alerta permanecerá elevado até que a ameaça dos “ataques indiscriminados e contínuos do Irã em toda a região diminua”, afirmou o Coronel Martin O’Donnell, porta-voz do Quartel-General Supremo das Forças Aliadas na Europa, em uma publicação no Facebook.

Na quarta-feira, um míssil balístico lançado do Irã foi destruído por sistemas da Otan ao passar pela Turquia, segundo o Ministério da Defesa do país.

O ministério disse em comunicado que não houve vítimas ou feridos no incidente, acrescentando que a Turquia se reserva o direito de responder a quaisquer ações hostis contra ela.

A Turquia – vizinha do Irã, que havia buscado mediar as negociações entre EUA e Irã antes da guerra aérea que começou no fim de semana – alertou “todas as partes para que se abstenham de ações que levem a uma escalada ainda maior”, sugerindo que não estava preparada para pedir o apoio do bloco de defesa transatlântico.

O incidente gera preocupações mais amplas, já que, pela Turquia pertencer à Otan, uma agressão a seu território poderia arrastar todos os países da aliança para o conflito.

Europa enfrenta pressão para se posicionar em relação à guerra no Irã

Ancara poderia potencialmente invocar o Artigo 4 da Otan após a violação do espaço aéreo, caso considerasse a ameaça suficientemente grave, uma medida que poderia levar à ativação do Artigo 5 da aliança, que obrigaria os membros a defendê-la.

Não estava claro para onde o míssil se dirigia. A Otan condenou o ataque do Irã contra a Turquia, que possui o segundo maior exército do bloco, e afirmou estar firmemente ao lado de todos os aliados.

Base dos EUA

 

Os EUA mantêm forças aéreas estacionadas na base de Incirlik, no sul da Turquia, localizada em uma área vizinha à província de Hatay, onde, segundo as autoridades, caíram destroços do míssil interceptado pela OTAN.

Ancara afirma que Washington não utilizou Incirlik em seu ataque aéreo, em conjunto com Israel, contra o Irã, que desencadeou os ataques com mísseis e drones de Teerã.

O Irã não comentou o incidente imediatamente. Em uma conversa telefônica separada sobre os ataques com mísseis iranianos no Catar, um aliado próximo da Turquia, o porta-voz iraniano Abbas Araqchi disse a seu homólogo catariano que os mísseis tinham como alvo apenas interesses dos EUA, e não do Catar.

O Ministério da Defesa turco informou que o míssil sobrevoou o Iraque e a Síria antes de ser abatido pelos sistemas de defesa aérea e antimíssil da OTAN estacionados no leste do Mar Mediterrâneo, acrescentando que não houve vítimas no incidente.

“Todas as medidas necessárias para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas… (e) reservamo-nos o direito de responder a quaisquer ações hostis”, disse o ministério, acrescentando: “Continuaremos a consultar a OTAN e nossos outros aliados”.

Declarações de altos funcionários turcos não mencionaram o Artigo 4, e Ancara não comentou quando questionada pela Reuters.

O artigo afirma que os aliados da OTAN “consultarão entre si sempre que, na opinião de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança” de um membro estiver ameaçada.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que não havia indícios de que o incidente acionaria o Artigo 5, que só foi invocado uma vez antes, após os ataques de 11 de setembro de 2001, e que marcaria uma grande escalada no conflito.

Uma fonte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos disse nesta quinta-feira (5) espera que o Brasil, a Colômbia e o Uruguai “façam mais” no combate aos cartéis de tráfico de drogas.

O Brasil não participou da Conferência das Américas sobre o Combate aos Cartéis, realizada nesta quinta no quartel-general do Comando Sul dos Estados Unidos, na Flórida.

O evento contou com a presença de líderes militares de Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Um funcionário do Departamento de Defesa afirmou que “o fato de alguns países não estarem participando não reflete uma mudança de postura em relação ao relacionamento de defesa”.

Segundo o oficial, a ausência brasileira “não prejudica o diálogo contínuo, os exercícios e outros engajamentos de rotina e atividades essenciais que formam a base da nossa relação de defesa”.

“Esperamos que Brasil, Colômbia e Uruguai façam mais”, disse, no entanto, o funcionário do Departamento de Defesa norte-americano

A fonte não esclareceu se o Brasil foi convidado para o evento, apenas citou quais países estiveram presentes e reforçou que todos eles assinaram uma declaração conjunta sobre segurança.

A reportagem questionou o Itamaraty e a embaixada brasileira nos Estados Unidos sobre a fala do integrante do Departamento de Defesa e a ausência do Brasil no evento, e aguarda retorno.

Combate ao narcoterrorismo

Apesar da recente reaproximação, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump têm se posicionado de maneiras diferentes sobre o combate aos cartéis de drogas na América Latina.

O petista tentou atuar como mediador na crise entre os Estados Unidos e a Venezuela, mas não houve abertura para isso por parte das autoridades em Washington.

Desde o retorno de Donald Trump ao poder, os Estados Unidos endureceram o discurso contra os cartéis latino-americanos e começaram uma campanha no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, com bombardeios a barcos que estariam envolvidos no tráfico de drogas para o país.

Depois da captura, em janeiro, de Nicolás Maduro — a quem os EUA acusavam de liderar um cartel — Lula expressou divergência com o governo Trump, defendendo que a prioridade deveria ser restabelecer a democracia na Venezuela e que qualquer processo contra o chavista deve ser feito em seu próprio país.

O governo brasileiro também chegou a classificar como “sequestro” a captura de Maduro em uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington.

No discurso na OEA, o representante permanente do Brasil, Benoni Belli, afirmou que os ataques à Venezuela “ultrapassaram a linha do inaceitável”, representaram “uma afronta gravíssima à soberania” e acrescentou que não é possível aceitar “o argumento de que os fins justificam os meios”.

Já Trump, além do ataque a embarcações no Caribe e a captura de Maduro, também colaborou com informações de inteligência para a operação que terminou na morte de “El Mencho”, líder de cartel mais procurado do México.

Os EUA também enviaram militares para o Equador para operações conjuntas contra o tráfico de drogas e assinaram um acordo com o Paraguai para o envio de integrantes das Forças Armadas e do Departamento de Defesa ao país para atuar no combate a organizações criminosas.

O governo de Donald Trump quer barrar a influência de seus rivais geopolíticos Rússia e China do Hemisfério Ocidental e ameaçou empregar ação militar contra países do continente que não cooperarem ou ainda obstruírem seus objetivos.

A ameaça, estendida a quem não colaborar com as ações de combate ao narcotráfico, está na nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada pelo Departamento de Guerra norte-americano na última sexta-feira (23). O intuito, segundo a estratégia, é assegurar aos EUA plena dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”.

A Estratégia Nacional de Defesa serve como guia das políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos do governo dos EUA, além de detalhar como implementar a Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em dezembro.

No novo documento, ao mesmo tempo em que fala em cooperação na base da “boa-fé” com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos, e utilizou a operação militar em Caracas que depôs o ditador venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de ações que o Exército norte-americano pode empregar no futuro.

 

A gestão de Donald Trump explica ainda como aplicará o lema que tem repetido desde a captura do venezuelano Nicolás Maduro, o de que “este é o nosso hemisfério”E fala de garantir “o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. (…).

“Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas para a aplicar com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação Resolução Absoluta [que resultou na prisão de Maduro]”, diz a nova estratégia, assinado pelo secretário Pete Hegseth.

A política de defesa do 2º mandato do governo Trump, segundo o documento do Departamento de Guerra, busca a “paz por meio da força” e começa nas fronteiras dos EUA, passa pelo Domo de Ouro e termina no monitoramento e contenção de seus rivais globais, como a China e a Rússia, contando com a ajuda de aliados ao redor do mundo.

  • “Deter” a China por meio da força e da contenção, mas sem buscar confronto direto;
  • “Delegar” Rússia e a Coreia do Norte, identificadas como ameaças globais, para seus aliados cuidarem —Otan e Coreia do Sul e Japão, respectivamente;
  • “Narcoterrorismo” como alvo militar: EUA se reservou o direito de ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas;
  • Vai obrigar Canadá e México a ajudar a fechar as fronteiras dos EUA para a entrada de imigrantes ilegais e de “narcoterroristas”;
  • Aumentar a responsabilidade dos aliados no “fardo da segurança compartilhada”;

China

 

Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30). — Foto: Reuters/Evelyn Hockstein

Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).

A China é tratada na nova estratégia como o principal rival dos EUA no palco mundial e, por isso, é necessário “deter” o país de Xi Jinping “por meio da força, não do confronto”, ou seja, sem entrar em guerra.

No entanto, o documento diz não ser necessário “dominar nem estrangular” Pequim para atingir esse objetivo, e indicou que vai buscar um arranjo em que cada um exerça dominação em suas regiões de influência para evitar choques.

Isso seria buscado por meio de dois fatores:

  • Esforços diplomáticos com Xi Jinping;
  • Aumentar a presença militar no Pacífico Ocidental —entre o Japão e as Filipinas, passando por Taiwan— para se contrapor à rápida mobilização chinesa na região.

 

“China e suas forças armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos próprios americanos. (…) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico. (…) Isso não exige mudança de regime nem algum outro tipo de luta existencial. Em vez disso, é possível alcançar uma paz aceitável, em termos favoráveis aos americanos, mas que a China também possa aceitar e sob os quais consiga viver”, afirmou o documento.

 

Trump busca uma “paz estável, comércio justo e relações respeitosas” com a China, segundo o documento. Mas os EUA dizem estar de olho na região do Pacífico Oriental, que abrange Taiwan, Hong Kong e Japão.

Outros pontos da estratégia

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026

  • O governo Trump considera primordial, ainda de acordo com a Estratégia de Defesa, garantir o “acesso militar e comercial” nas regiões do Ártico, do Golfo das Américas, do Canal do Panamá e em outras regiões da América do Sul. E já começou a aplicar essa estratégia, em casos como a tentativa de adquirir a Groenlândia e investidas contra a influência chinesa no canal marítimo da América Central.
  • O governo Trump diz também querer “fechar as fronteiras e deportar” imigrantes ilegais, e afirmar contar com a ajuda do Canadá e do México para isso.
  • Em relação ao combate ao narcotráfico, o Departamento de Guerra afirma se reservar o direito de empregar “ações militares unilaterais” contra narcotraficantes, mas disse que quer ajudar a desenvolver a capacidade de aliados de desmantelar cartéis de drogas latino-americanos.
  • O documento também tratou do Domo de Ouro, e afirmou que o Canadá terá um papel importante para fechar as defesas aéreas perto dos EUA.
  • O governo Trump também fala em “modernizar e adaptar” suas forças nucleares e fazer uma retomada da indústria militar dos EUA.

 

Os Estados Unidos decidiram suspender o processamento de todos os vistos para 75 países, incluindo o Brasil. A apuração foi divulgada pela Fox News, nesta quarta-feira (14), que afirma ter tido acesso em primeira mão a um memorando do Departamento de Estado americano.

A medida deve passar a valer a partir de 21 de janeiro, informou a emissora. O documento orienta os funcionários consulares a recusarem vistos de acordo com a legislação vigente enquanto o governo reavalia os procedimentos de triagem e verificação. Nenhum prazo de retorno dessa verificação foi fornecido.

Segundo a emissora, a medida do governo do presidente Donald Trump faz parte de um “esforço para coibir candidatos considerados propensos a se tornarem um encargo público”.

A Fox News afirma que os funcionários consulares foram instruídos a negarem vistos a candidatos que provavelmente dependerão de benefícios públicos, considerando questões como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e até mesmo a possível necessidade de cuidados médicos de longo prazo.

Segundo o memorando, candidatos idosos ou com sobrepeso podem ter pedidos rejeitados, assim como aqueles que já receberam assistência financeira do governo ou foram institucionalizados.

A lista de países afetados inclui, além do Brasil, Rússia, Irã, Somália, Afeganistão, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e outros.

Fontes do governo brasileiro disseram que foram pegas de surpresa sobre o possível cancelamento de vistos e o governo Lula defende cautela e aguarda a formalização da decisão.

Uma fonte do governo americano afirmou à correspondente em Nova York, Priscila Yazbeck, que não há detalhamento sobre a medida e o governo brasileiro não foi comunicado.

A decisão ocorre em meio à ampla repressão à imigração promovida por Trump desde que voltou à Presidência em janeiro do ano passado.

Em novembro, Trump prometeu “interromper permanentemente” a imigração de todos os “países do Terceiro Mundo” após um tiroteio perto da Casa Branca por um cidadão afegão que matou um membro da Guarda Nacional.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, publicou na rede social X a notícia sobre o congelamento do processamento de vistos.

A persistência e a intensidade das manifestações que ocorrem atualmente no Irã demonstram que o regime islâmico está enfrentando importantes fissuras em sua estrutura de poder, segundo avaliação do professor de Defesa e Segurança Internacional, Augusto Teixeira.

“É muito improvável pensar no Irã como algo semelhante ao ocorrido no Iraque em 2003. Não obstante, os Estados Unidos tem meios para realização de incursões terrestres, ampla destruição por meio de bombardeios”, apontou o professor: “Mas, o Irã é um país mais robusto com estrutura militar relativamente preservada, cuja sociedade civil é complexa”.

Segundo o especialista, o fato de os protestos estarem acontecendo em quase todo o território iraniano, mesmo sob um regime que reprime violentamente manifestações públicas, é um indicativo claro de que a capacidade de controle interno do governo está sendo significativamente erodida.

“A própria existência das manifestações e a sua duração e intensidade, somada ao fato de ocorrer em quase todo o Irã, demonstram que o regime está apresentando importantes fissuras”, afirmou Teixeira.

Queda de poder e legitimidade

O professor destacou que, nos últimos 25 anos, o Irã construiu uma imagem de potência regional com liderança alternativa no Oriente Médio, especialmente dentro do campo xiita, capaz de rivalizar com os Estados Unidos, Arábia Saudita e Israel. No entanto, essa imagem sofreu um golpe significativo após o conflito com Israel no ano passado, que culminou com um ataque americano contra instalações do programa nuclear iraniano.

“A guerra de 12 dias ocorrida no ano passado entre Irã e Israel, que culminou com o ataque americano contra o programa nuclear iraniano, demonstrou um processo muito acelerado de queda de poder militar, de queda de legitimidade e, obviamente, a queda do mito do Irã como uma grande potência regional”, explicou Augusto Teixeira.

O especialista mencionou que, com esse ataque, o país viu Israel voando com relativa liberdade no espaço aéreo iraniano, demonstrando superioridade militar em vários momentos da campanha.

Outro fator que contribui para a desestabilização do regime é a situação econômica do país. Teixeira lembrou que o Irã é um dos países mais sancionados do mundo, atrás apenas da Rússia, e que as sanções impostas há muito tempo, combinadas com a insistence do governo em manter seu programa nuclear, tornaram a vida dos iranianos ainda mais difícil.

Possível reforma interna

Apesar das fissuras evidentes, o professor ressaltou que não necessariamente haverá uma queda do regime, mas sim uma possibilidade de reformas internas. “Essas manifestações, em grande medida puxadas pela classe média, demonstram que o regime não apenas apresenta fissuras importantes, como é uma oportunidade plausível para que o aparato do regime altere, não necessariamente com que ele caia, mas que ele possa talvez se reformar por dentro”, avaliou.

Sobre uma possível intervenção dos Estados Unidos no Irã, Teixeira considera improvável um cenário semelhante ao ocorrido no Iraque em 2003. Ele acredita que uma eventual ação americana seria direcionada a alvos estratégicos ou de alto valor, como a liderança política e militar do país, buscando colapsar sua estrutura de comando.

O especialista também comentou sobre o papel da Rússia e da China nesse contexto geopolítico, destacando que, apesar das relações com o Irã, não existe uma aliança formal entre esses países. “Não é possível afirmar a existência de uma aliança propriamente dita, como Estados Unidos e Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul”, explicou, acrescentando que a relação com a China é principalmente pragmática, voltada à venda de material bélico e aquisição de commodities.

A Groenlândia não aceitará “sob nenhuma circunstância” a possibilidade dos Estados Unidos se apoderarem da ilha e intensificará seus esforços para garantir sua defesa por parte da Otan, declarou nesta segunda-feira (12) o governo groenlandês.

“Os Estados Unidos reiteraram o seu desejo de tomar posse da Groenlândia. O Governo de Coalizão da Groenlândia não pode aceitá-lo sob nenhuma circunstância”, afirmou em comunicado.

 

A fala ocorre em meio à investida do presidente norte-americano, Donald Trump, para fazer com que a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, se torne parte dos EUA. Na semana passada, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta expressando seu apoio à Dinamarca e à Groenlândia.

Um grupo de países europeus está discutindo planos para reforçar sua presença militar na ilha para fazer frente às ameaças de anexação feitas por Trump, segundo a agência de notícias norte-americana Bloomberg. O governo da Groenlândia confirmou os esforços da Otan para assegurar o status da ilha.

Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia

“Diante da postura muito positiva adotada por seis países membros da Otan em relação à Groenlândia, o Naalakkersuisut (governo da ilha) intensificará seus esforços para garantir que a defesa da Groenlândia seja integrada no âmbito da Otan”, completou o comunicado.

 

O governo do primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen enfatizou que o país pretende “permanecer sempre como parte da aliança de defesa ocidental”.

Nesse contexto, em que balanceiam a ameaça com o fato dos EUA serem aliados históricos, líderes da Otan buscam mostrar uma alternativa à Casa Branca para buscar uma solução à crise que não envolva o conflito armado. O secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, disse que está discutindo com os aliados os próximos passos para aumentar a segurança da região do Ártico.

No domingo, Trump reiterou que os Estados Unidos se apoderariam do território “de uma forma ou de outra”, afirmando que “precisa de um título de propriedade”. Ele também zombou da capacidade defensiva da Groenlândia. Anteriormente, ele havia reconhecido que poderia ter que escolher entre preservar a integridade da aliança militar ou controlar o território dinamarquês.

O presidente norte-americano também ameaçou a Groenlândia para fazer um acordo.

O ator Wagner Mouta, 49, analisou suas chances na corrida do Oscar após vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, no domingo (11).

Em entrevista ao Gold Derby, portal especializado na cobertura da temporada de premiações, o protagonista de “O Agente Secreto” confessou que ainda não está com a cabeça no Oscar e reconheceu que o longa de Kleber Mendonça Filho já conquistou muita coisa desde o lançamento.

“A gente está aqui [no Globo de Ouro] e, claro, todos nós queremos isso. Todos queremos ir o mais longe possível com esse filme. Mas, honestamente, a gente já foi longe”, declarou o baiano.

O brasileiro também refletiu sobre a quantidade de atenção que tem recebido em Hollywood. Ele disse que tem tentado usar esse momento como uma oportunidade de aprendizado, já que ele não se considera uma pessoa acostumada a fazer o trabalho político das campanhas de premiações.

“Eu não sou um cara muito bom em ir a festas, conversar com as pessoas, apertar mãos. Mas eu também vejo isso como uma oportunidade de aprendizado e, ao mesmo tempo, não posso reclamar, porque a gente está num momento tão bom, sabe? O nosso filme está recebendo muita atenção. Então, não estou aqui para reclamar de nada. Tem sido… tem sido uma grande jornada.”

A vitória no Globo de Ouro de fortalece a temporada de Moura e ajuda a campanha ao Oscar. No ano passado, a atriz brasileira Fernanda Torres ganhou o prêmio Melhor Atriz por “Ainda Estou Aqui”. Algumas semanas depois, ela foi indicada ao prêmio mais desejado do cinema.

O apagão da internet no Irã, aliado à natureza extremamente repressiva de seu governo, torna impossível saber o real número de mortos pela repressão às manifestações por democracia e contra o custo de vida no país.

Entidades de direitos humanos baseadas no exterior afirmam que conseguiram confirmar mais de 500 mortes e mais de 10 mil presos.

Mesmo sabendo que esses grupos têm muitos contatos dentro do Irã, é necessário ler esses números com a devida cautela.

Em primeiro lugar, porque as manifestações são nacionais, ocorrendo inclusive em cidades mais distantes de Teerã, a capital. Isso dificulta a tabulação de números gerais, que podem ser ainda maiores do que os divulgados.

Além disso, muitas das entidades que estão divulgando os números são ligadas à oposição ao regime e a dissidentes exilados pelos aiatolás. Assim sendo, eles não agem necessariamente de forma neutra e podem ter interesse em inflar os dados.

Por fim, o bloqueio digital promovido pela ditadura foi feito justamente para impedir que as informações sobre a repressão fossem veiculadas fora do país. Além, claro, de tentar dificultar a comunicação entre os manifestantes.

Órgãos da imprensa internacional, no entanto, conseguiram confirmar a veracidade de vários vídeos revelando grande número de mortos e muita violência nas cidades do Irã.

Dado o histórico do país, a repressão injustificada pode ser até maior do que os números espalhados na internet.

O governo iraniano também afirma que sabotadores ligados a Israel e aos Estados Unidos estariam tentando insuflar os protestos, inclusive incitando a violência.

Estas acusações da ditadura dos aiatolás também são difíceis de comprovar, por razões parecidas com as relacionadas ao número de mortos.

Mas sabe-se que os agentes israelense conseguiram muito acesso no país nos últimos meses.

Ele conseguiram, entre outras coisas, matar o líder político do Hamas Ismail Haniyeh numa casa supostamente segura do governo iraniano que foi colocada à disposição do palestino pelo próprio líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Diante desse cenário, o que se impõe é um quadro de opacidade quase absoluta: a repressão ocorre longe do escrutínio internacional, os números seguem imprecisos e as versões não podem ser verificadas de forma independente.

O apagão da internet não é um efeito colateral da crise, mas um instrumento central da estratégia do regime para controlar a narrativa, silenciar vítimas e ganhar tempo.

Enquanto a comunicação seguir bloqueada e jornalistas não tiverem acesso ao país, a real dimensão da violência no Irã continuará desconhecida.

E possivelmente muito mais séria do que aquilo que hoje é possível confirmar.

O Grok, inteligência artificial do X, de Elon Musk, passou a informar que a edição de imagens está restrita a assinantes do serviço. A mudança ocorre após a plataforma ser tomada por fotos manipuladas de mulheres reais com pouca roupa ou nudez, e de crianças com roupas íntimas.

Foram encontradas interações em que usuários pedem ao Grok alterações em imagens já publicadas por outras pessoas na plataforma.

Nesses casos, o Grok agora está respondendo: “A geração e edição de imagens atualmente são limitadas a assinantes pagantes. Você pode se inscrever para desbloquear estes recursos”. A mensagem vem acompanhada de um link para a página de assinatura.

Procurado, o X informou que está verificando a resposta da IA e que passará mais detalhes “assim que tiver alguma atualização”.

Interações do Grok com edição de imagem dentro do X — Foto: Reprodução/X

Interações do Grok com edição de imagem dentro do X — Foto: Reprodução/X

O g1 mostrou na quinta-feira (8) o caso de uma brasileira que teve fotos usadas no antigo Twitter para gerar imagens que simulavam nudez ou o uso de roupas íntimas.

Antes do caso dela, a prática ganhou repercussão quando a jornalista Julie Yukari denunciou à polícia que também teve fotos manipuladas pela mesma ferramenta, no último dia 2.

‘Horrível. Me sinto suja’, diz brasileira vítima

 

Giovanna (nome fictício) teve sua foto modificada por usuário do X. — Foto: Reprodução/Redes sociais.

Giovanna (nome fictício) teve sua foto modificada por usuário do X. — Foto: Reprodução/Redes sociais.

“Eu fiquei em choque quando vi (…). É um sentimento horrível. Eu me senti suja, sabe?”, disse Giovanna*, ao ser informada pelo g1 que uma foto sua de biquíni estava na rede social X, na última segunda-feira (7). “Na foto original, do meu story, eu estava de calça.”

A imagem de Giovanna* que foi manipulada tinha sido publicada recentemente em seu perfil público no Instagram. Uma conta no X identificada como “@endricklamar__” repostou essa imagem no X e pediu que o Grok a retratasse de biquíni.

g1 identificou as manipulações ao buscar palavras-chave relacionadas ao tema na barra de pesquisa do X. A partir disso, foi possível localizar solicitações ao Grok feitas pela conta “@endricklamar__”, incluindo uma em que aparecia o @ de Giovanna*.

 

Criado em junho de 2025, o perfil reunia imagens de outras mulheres, cuja identidade não foi possível confirmar (veja os prints abaixo). Não foram encontradas, porém, manipulações semelhantes envolvendo homens.

Ao ser contatada, Giovanna* disse que ficou assustada ao saber do uso da própria imagem sem consentimento e afirmou não conhecer o perfil em questão.

“Na foto original, do meu story, eu estava de calça. Já na imagem manipulada pela IA, aparece o mesmo local, a mesma pose, tudo igual, só que de biquíni”, comparou.

 

“Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo, porque normalmente isso é feito mais com artistas e influenciadores”, completou a vítima, que disse já ter denunciado o post e afirmou que pretende registrar um Boletim de Ocorrência.

No próprio X, o g1 tentou contato com o responsável pela conta @endricklamar__, mas recebeu apenas a resposta “??”. Algumas horas depois, ele excluiu as fotos e o perfil (veja na imagem abaixo).

Os partidos de oposição de ultradireita e de esquerda da França apresentarão moções de desconfiança contra o frágil governo minoritário do país em resposta à aprovação, nesta sexta-feira (9), do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

O Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado da União Europeia, deu sinal verde para aprovação do acordo de livre comércio nesta sexta-feira.

O partido de esquerda LFI (França Insubmissa) disse que apresentará uma moção de desconfiança na manhã desta sexta-feira, enquanto o partido de ultradireita RN (Reunião Nacional) disse que também apresentará uma moção contra a presidente da Comissão Europeia em Bruxelas.

As moções de desconfiança destacam o revés político interno que o governo do presidente da França, Emmanuel Macron, enfrenta em relação ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento já atrasado para 2026 em um Parlamento turbulento.

Parece improvável que o RN e o LFI consigam reunir votos suficientes no Parlamento para destituir o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sebastien Lecornu.

Ainda assim, suas ameaças destacam a perigosa corda bamba política que o governo de Macron continua a percorrer pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027.

Premiê diz que moções enfraquecem voz da França 

Macron disse que a França votaria contra o acordo com o Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio da maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano.

Em uma publicação na rede social X, na noite de quinta-feira, o presidente do RN, Jordan Bardella, disse que a promessa de Macron de não votar a favor do acordo era uma mera postura que equivalia a “uma traição aos agricultores franceses”.

Marine Le Pen, uma das principais líderes do RN, também afirmou pediu que Macron “anunciasse, se necessário, a suspensão da contribuição da França para o orçamento da União Europeia”.

A líder do LFI na câmara baixa do Parlamento, Mathilde Panot, afirmou no X que a França havia sido “humilhada” por Bruxelas e no cenário mundial.

“Lecornu e Macron devem sair”, escreveu ela.

Lecornu disse que as moções de desconfiança enviam um sinal negativo para o exterior em um momento em que a França deveria tentar demonstrar unidade para convencer outras nações europeias e estava atrasando as negociações para chegar a um acordo sobre um orçamento.

“Apresentar uma moção de desconfiança nesse contexto… é escolher enfraquecer a voz da França em vez de mostrar unidade nacional em defesa de nossa agricultura”, publicou o premiê nas redes sociais.