O Exército da Síria lançou novos ataques em partes de Aleppo nesta quinta-feira (8), após ordenar a saída dos moradores, acusando as FDS (Forças Democráticas Sírias), lideradas pelos curdos, de usar áreas de maioria curda para lançar ataques, enquanto os confrontos entram no terceiro dia.
O Exército divulgou mais de sete mapas identificando as áreas que, segundo ele, seriam alvos dos ataques, instando os moradores a saírem imediatamente para sua segurança.
Seu comando de operações anunciou um toque de recolher nos bairros de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh a partir das 15h (horário local).
Os combates, que começaram na terça-feira (6), forçaram milhares de civis a deixarem suas casas e causaram mortes e ferimentos em várias pessoas.
“Hoje, até este momento, quase 13.500 pessoas deixaram a cidade. A maioria dos casos que vimos eram de mulheres, crianças e pessoas com necessidades especiais, e alguns pacientes foram levados para o hospital e outros receberam atendimento médico em ambulâncias”, disse Faisal Ali, chefe de operações das FDS (Forças Democráticas Sírias) em Aleppo.
As FDS afirmaram que seus combatentes estavam envolvidos em intensos confrontos com facções e auxiliares alinhados a Damasco perto do bairro siríaco de Aleppo, acrescentando que infligiram o que descreveram como pesadas baixas.
A violência e as reivindicações conflitantes de responsabilidade evidenciam um impasse cada vez mais profundo e mortal entre Damasco e as autoridades curdas, que resistem à integração ao governo central.
Acusações de limpeza étnica
O primeiro-ministro do Governo Regional do Curdistão, Masrour Barzani, afirmou estar profundamente preocupado com os ataques a bairros curdos em Aleppo, alertando que os ataques contra civis e as tentativas de alterar a demografia da região configuram o que ele descreveu como limpeza étnica.
Barzani apelou a todas as partes para que exerçam moderação, protejam os civis e busquem o diálogo.
As Forças Democráticas da Síria acusaram facções alinhadas a Damasco de ameaçarem ataques ilegais contra áreas civis, alegando que avisos públicos de bombardeios podem configurar deslocamento forçado e crimes de guerra, conforme o direito internacional humanitário.
Mais moradores foram vistos deixando Sheikh Maqsoud e Ashrafieh por meio de corredores seguros designados.
As FDS são uma aliança apoiada pelos EUA que controla grande parte do nordeste da Síria e tem sido o principal parceiro local de Washington na luta contra o Estado Islâmico.
As autoridades lideradas pelos curdos estabeleceram uma administração semiautônoma nessas áreas e em partes de Aleppo durante os 14 anos de guerra na Síria e resistiram à plena integração ao governo liderado por islamitas que assumiu o poder após a deposição do ex-ditador Bashar al-Assad no final de 2024.
Damasco chegou a um acordo com as Forças Democráticas Sírias no ano passado, que previa a integração completa até o final de 2025, mas o progresso tem sido limitado, com os dois lados se acusando de protelar as negociações.
Os Estados Unidos buscaram mediar a situação, realizando reuniões até mesmo no último domingo (4), embora essas conversas tenham terminado sem resultados concretos.
Diplomatas alertam que a falha na integração das FDS ao Exército sírio pode acarretar mais violência e envolver a Turquia, que ameaçou com ações militares contra os combatentes curdos que considera terroristas.
A Turquia afirmou nesta quinta-feira (8) estar pronta para ajudar a Síria, caso seja solicitada, após o Exército sírio ter lançado, de forma independente, o que chamou de operação “antiterrorista” em Aleppo.




