Oposição tenta derrubar governo na França por acordo UE-Mercosul

Os partidos de oposição de ultradireita e de esquerda da França apresentarão moções de desconfiança contra o frágil governo minoritário do país em resposta à aprovação, nesta sexta-feira (9), do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

O Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado da União Europeia, deu sinal verde para aprovação do acordo de livre comércio nesta sexta-feira.

O partido de esquerda LFI (França Insubmissa) disse que apresentará uma moção de desconfiança na manhã desta sexta-feira, enquanto o partido de ultradireita RN (Reunião Nacional) disse que também apresentará uma moção contra a presidente da Comissão Europeia em Bruxelas.

As moções de desconfiança destacam o revés político interno que o governo do presidente da França, Emmanuel Macron, enfrenta em relação ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento já atrasado para 2026 em um Parlamento turbulento.

Parece improvável que o RN e o LFI consigam reunir votos suficientes no Parlamento para destituir o governo, liderado pelo primeiro-ministro Sebastien Lecornu.

Ainda assim, suas ameaças destacam a perigosa corda bamba política que o governo de Macron continua a percorrer pouco mais de um ano antes da eleição presidencial de 2027.

Premiê diz que moções enfraquecem voz da França 

Macron disse que a França votaria contra o acordo com o Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio da maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano.

Em uma publicação na rede social X, na noite de quinta-feira, o presidente do RN, Jordan Bardella, disse que a promessa de Macron de não votar a favor do acordo era uma mera postura que equivalia a “uma traição aos agricultores franceses”.

Marine Le Pen, uma das principais líderes do RN, também afirmou pediu que Macron “anunciasse, se necessário, a suspensão da contribuição da França para o orçamento da União Europeia”.

A líder do LFI na câmara baixa do Parlamento, Mathilde Panot, afirmou no X que a França havia sido “humilhada” por Bruxelas e no cenário mundial.

“Lecornu e Macron devem sair”, escreveu ela.

Lecornu disse que as moções de desconfiança enviam um sinal negativo para o exterior em um momento em que a França deveria tentar demonstrar unidade para convencer outras nações europeias e estava atrasando as negociações para chegar a um acordo sobre um orçamento.

“Apresentar uma moção de desconfiança nesse contexto… é escolher enfraquecer a voz da França em vez de mostrar unidade nacional em defesa de nossa agricultura”, publicou o premiê nas redes sociais.